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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PEDAGOGIA DO DESESPERO



Por Andreia Tairon
A escola não respeita as diferenças entre os alunos, massificando-os, mas como dar conta de cada indivíduo se somos colocados para atender massas? Se nossos governantes estão preocupados com uma educação quantitativa e não qualitativa? Se alunos são meros números que integrarão gráficos simulando sucesso na expansão do ensino?
Perrenoud coloca nas mãos dos professores (sempre os professores!), a missão de vencer o fracasso escolar por meio de uma pedagogia diferenciada, mas que tipo de pedagogia teria o poder de desconstruir estruturas tão bem engendradas que visam manter as elites no poder e o povo se conformando com migalhas?
Se a área da saúde não está bem, a sociedade não ataca o médico, ela reclama do governo que não investe na saúde. Nunca ouvimos falar em fracasso hospitalar… Se a área da segurança não está bem, as pessoas também reclamam do governo, que não valoriza nossos policiais… mas se a área da educação não vai bem, não é o governo apontado como culpado, apontam diretamente para o professor. Por que tantos pais sentem raiva dos professores? Por que os mesmos já vem  armados para as reuniões escolares?
Concordo que aulas ministradas por professores de perfil autoritário e que visa apenas cumprir o programa, não instigam ninguém, mas ainda assim, o professor não pode ser atacado como sendo responsável pelo fracasso escolar, pois até mesmo o profissional que apresenta este perfil, está fazendo o que julga ser o melhor, e da melhor forma, dentro de sua visão e possibilidades.
  O  professor está inserido num sistema maior que o sobrecarrega, que lhe desestimula em diversos sentidos, e como já foi dito, o professor é o produto mais barato do mercado…
Particularmente acredito em pedagogias que estimulem a autonomia, como a empreendida pela escola da Ponte, em Portugal. Uma escola sem turmas, que não segue o sistema padrão de seriação/ciclos adotado pelas instituições de ensino do país.. A escola não tem paredes internas para separar os alunos de acordo com a idade ou série. As crianças e os adolescentes compartilham o mesmo espaço físico, um grande galpão, muito bem estruturado para pesquisa e de fácil acesso aos alunos. Esses, por sua vez, se agrupam de acordo com a área de interesse a ser pesquisada, independente da faixa etária. Responsabilidade e solidariedade são enfatizadas no ambiente escolar, onde a aprendizagem significativa se da por meio de um relacionamento interpessoal autêntico e afetuoso. Os alunos e profissionais não são vistos como máquinas de produção de conhecimento, mas como pessoas normais em busca de um caminho seguro, embora conscientes de sua transformação constante.
Mas, uma escola nesses moldes seria aceita dentro de nossa realidade? De que forma poderíamos apostar neste tipo de pedagogia, uma vez que estamos amarrados pelos ditames dos governantes que nos sobrecarregam com burocracias inúteis e nos tiram tempo de pensar no que realmente importa?…e quando se constata o fracasso escolar…a culpa será sempre nossa…
Talvez um caminho seria trazer a comunidade, de alguma forma para dentro da escola. Para que vissem a qualidade do trabalho que realizamos com seus filhos e as dificuldades que encontramos, assim, teriam meios de construir uma opinião mais embasada a respeito dos educadores e seu trabalho, tornando-se menos hostis e mais colaborativos. A escola deve desconstruir a imagem de que só chama os pais para reclamar de seus filhos (será que vem daí a hostilidade por parte dos pais?).
O professor de filosofia Cesar Mangolin, em seu blog, diz que qualquer esforço para mudar o mundo por meio da educação seria uma perda de tempo, uma vez que o que deve realmente ser mudado é o sistema. Concordo, sim, com a necessidade de uma revolução nesse sentido, ainda que a revolução teórica disseminada por professores bem intencionados não tenha muito efeito, acho válida sua disseminação, pois através dela podemos despertar a consciência de cada aluno, tornando-os dóceis não a exploração, a adequação a um sistema opressor travestido de democrático, mas a ideias inovadoras, libertárias, a novos modos de enxergar o mundo, de se relacionar e respeitar o próximo, para que tenhamos um mundo melhor…e um mundo melhor, com certeza, será bem diferente de tudo o que temos hoje!

Texto disponibilizado pela autora

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